TMJ do meu jeito

sábado, 21 de maio de 2016

TMJ#94 - Dentuça, eu?: Palpites


Já saiu a capa da ed. 94 e... er... bem...

A sinopse falou o seguinte:

Para se curar de uma estranha doença, Mônica se vê em um difícil dilema: para curar-se, precisará aceitar um tratamento que modificará totalmente a sua aparência.

Confesso que eu tenho uma tendência a levar as coisas meio que literalmente. Se me falarem que uma pessoa ficou doente, vou imaginar algo como gripe, sarampo, dengue, zica, whatever... Jamais vou pensar que ela só precisa colocar aparelho nos dentes. Mas entendo que quem faz a sinopse das edições coloca de um jeito que chame a atenção dos leitores, então no fim acabo entendendo.

E quando uma pessoa fala em “modificar totalmente a aparência”, eu entendo que será uma mudança radical que envolve não só os cabelos (cor, textura, tamanho, etc.) como também a mudança nas feições, cor dos olhos, traços, coisas assim. Logo, fiquei meio surpresa quando a capa da ed. saiu e vi a Mônica usando aparelhos.

Então tive que parar e pensar por alguns minutos. Beleza. Pois bem. Embora eu não ache que colocar aparelhos seja uma mudança total na aparência, concordo que ainda assim é uma grande mudança. Será que ela vai ficar sem os dentões? Isso sim mudaria bastante o rosto dela, talvez a ponto de deixá-la meio que irreconhecível já que os dentes são tipo uma característica nela que se destaca.

Ao que parece, o enredo vai ser tipo: Mônica descobre que precisa usar aparelhos (já era tempo!), mas acha ruim porque aparelhos não são muito bonitos e podem destacar ainda mais os dentes dela. Pelo que sei, adolescentes costumam ficar um tanto resistentes quando precisam de aparelhos.

Aí a história vai girar ao redor da sua resistência e conflito. Por um lado, imagino que ela pode querer dentes normais. Por outro, pode se sentir mal por usar aparelhos e também por perder essa característica marcante. Talvez ela sinta como se perder os dentões a fizesse perder sua identidade e ninguém quer isso, certo?

Quanto aos amigos, imagino que uns vão apoiar, outros vão dizer que não precisa, ainda tem aqueles que lhe dirão para fazer o que o coração mandar, essas coisas. Fico pensando em como o DC vai reagir quando souber que ela não será mais dentuça. Aí vamos ver se o sentimento dele é verdadeiro ou se ele a vê apenas como uma peça exótica.

Sim, gente, eu ainda tenho essa cisma do DC, é por isso que nunca fui “Docônica”. Quer dizer, ele ama a Mônica pela pessoa que ela é ou só está atraído pelo fato de ela ser diferente? O que aconteceria se ela perdesse uma das características que a tornam diferente? Sem os dentões, ela meio que vai ficar uma garota comum.

Já o Cebola... bem... apesar de ter aprendido a respeitá-lo um pouquinho mais por causa da ed. passada, confesso que ainda fico meio ressabiada quando se trata dele. Ele sempre chamou a Mônica de dentuça quando criança e fico pensando se esse passado vai voltar a tona de alguma forma. Se bem que a Petra falou que vamos nos surpreender não só com ele, como também com o tema da edição. Meldels!
 
Ele vai lembrar essa época? Sentir algum remorso? Pedir desculpas? Pelas mudanças que venho observando, é provável que ele tente falar ou fazer algo para que ela se sinta melhor consigo mesma e só aceite colocar os aparelhos se realmente quiser, não só para agradar aos outros.

De qualquer forma, eu imagino que Cebola e DC terão opiniões conflitantes sobre esse assunto. Pode ser que o DC seja contra ela usar aparelhos e o Cebola seja a favor ou então diga que essa decisão deveria ser somente dela e de mais ninguém. Vai ser interessante ver como os dois irão lidar com esse assunto, pode ser uma forma de disputar pela atenção da Mônica.

Será que vai rolar conflito entre os dois? Ciúme? Briga? Desconfianças? O Cebola vai tentar xavecar a Mônica ou será que aprendeu a aceitar o namoro dela? Se bem que é capaz de ele não conseguir aceitar nunca, no máximo se conformar e ficar de tocaia esperando uma chance. O DC fez isso e deu certo, né?

A Petra falou no seu Ask que a história vai ser bem tensa, então quer dizer que vai boa. Sim, eu gosto de histórias tensas. Também gosto com treta, gritaria, barraco, explosão, tiro, porrada e bomba, mas isso não vem ao caso agora. 

E pensando bem, eu gostei de essa tal mudança radical ser somente usar aparelhos. E olhando sob a perspectiva de alguém da idade da Mônica, isso é sim uma grande mudança na aparência. Sem falar que se fosse qualquer outro tipo de mudança, ia surgir outro problema: ela não pode mudar de cara numa história e do nada aparecer com a mesma cara no mês seguinte. Isso aconteceu na ed. 61 quando ela cortou os cabelos e achei muito uó.

Só falta saber se ela vai colocar ou não os aparelhos. Ou será algo obrigatório? Se for um problema que pode piorar com o tempo, ela vai ter que por aparelhos de qualquer jeito. Se for opcional, a decisão vai ficar na mão dela: mudar ou continuar como sempre foi?

Será que ela quer isso mesmo? Eu sei que a Mônica sempre se incomoda quando a chamam de dentuça, mas ela pensa dessa forma de si mesma? Ela se acha dentuça? É algo que a incomoda e que ela gostaria de mudar?

Eu lembro de uma história dos gibis , acho que o nome é “Marina, você me pinta?”. A Mônica pede para que Marina faça um desenho dela, deixando-a numa situação ruim porque isso foi logo depois de ela declarar que não era dentuça. 

Então a Marina ficou num dilema: se colocasse os dentes, a Mônica ia ficar zangada. Se não colocasse, o desenho não ia ficar parecido. Solução: ela desenhou a Mônica num vestido tipo de princesa com um leque sobre a boca de forma a esconder os dentes. A Mônica amou e todos ficaram felizes. 

Também tem a ed. 42, “Torneio de games” onde depois de incentivar o Cebola a não ter medo de um avatar de jogo só porque tinha a aparência dela e no final chama o avatar de dentuça. Isso mostra que ela não se acha dentuça, o que pode ser um problema porque todos a vêem dessa forma. 
 
Será que os outros personagens é vão ficar apontando esse “defeito” nela? Pessoas como Toni Carmem seriam capazes disso, mas talvez os amigos tentem dar algum toque de forma mais sutil para não ofendê-la, o que vai ser bem difícil. Pode rolar muita briga nessa edição.

Eu lembro da ed. 37 onde ela usava aparelhos e disse que estava tentando mudar pelos amigos, coisas assim. Aliás, eu sempre me perguntei por que ela nunca usou aparelhos. Entendo que é para manter sua característica principal, já que nos gibis ela é dentuça e tirar isso pode meio que descaracterizar a personagem.

Porém, na vida real, as pessoas usam aparelhos quando precisam (e podem). Fica meio estranho ela insistir em não usar só para se manter dentuça igual na infância. Viram o conflito que tá rolando? Usar ou não usar aparelhos? Ela deve mudar como uma pessoa da vida real faria ou preservar os dentes para que os leitores continuem associando a Mônica adolescente com a Mônica dos gibis?

O que eu penso? Que ela deveria sim usar aparelhos. Eu usaria. Não só por questões de estética mas também de conforto. Será que aqueles dentes não incomodam? Quer dizer, é algo que aparece até quando ela está com a boca fechada, isso não é lá muito higiênico para começo de conversa.

E aí? Ela vai usar os aparelhos ou chegará a conclusão de que não precisa deles já que seus dentes não são um problema e ela não quer mudar só para agradar os outros?

Caso ela use, vai ser durante a história inteira ou ela vai tirar no final porque incomodam muito e ela acha desnecessário? E os aparelhos vão conseguir ajeitar os dentes dela ou não vão dar resultado nenhum e ela chegará a conclusão de que é assim mesmo e vai deixar como está?

Outra alternativa possível é os dentes dela ficarem iguais ao das outras pessoas, o que seria um tanto estranho. Não para mim, eu não faço questão. Mas muitos leitores podem estranhar. Se isso acontecer, a mudança será permanente ou ela vai terminar a história com os dentes de um jeito e começar a ed. 95 com eles como sempre foram?

Caso os dentes dela mudem, como o DC vai lidar com essa mudança? Será o início do desencanto ou o sentimento dele irá persistir? Afinal, muitas coisas podem acontecer desde o diagnóstico até a decisão final dela. 

Se por acaso houver a intenção de fazer a Mônica se reconciliar com o Cebola no futuro, primeiro vão ter que dar um jeito no namoro dela com o DC. Só que isso precisa ser feito aos poucos. Seria essa edição o “começo do fim”? Onde as coisas começam a se desgastar porque DC tem suas preferências e não costuma ceder muito?

Ao mesmo tempo que pode ser o início do fim com o DC, também pode ser o início da reconciliação com o Cebola. Sim, sei que estou viajando demais, de repente nem vai acontecer nada, mas esse lance dos aparelhos pode ser uma boa chance caso o Cebola saiba aproveitar.

Sabe, é nessas horas que eu lamento de a TMJ ser mensal porque temos que esperar um longo tempo entre uma história e outra. Eu só vou poder ler a ed. 94 no mês que vem (ai que dor!) e confesso que estou bem ansiosa para ler a história e ver o que vai acontecer.

Quanto a capa, fiquei surpresa ao ver a Mônica de aparelhos e achei que ficou muito bonita. A expressão do Cebola saiu assim meio debochada, acho que deve ser por isso que o pessoal ficou meio desconfiado com ele. Já o DC parece bem intrigado e fazendo bico. Será que ele está imaginando como seria beijar a boca da Mônica com aparelhos? Ou será que ele não gostou da mudança? Mistéeeerio!

E vocês? O que acham que vai acontecer? Tem algum bom chute aí? Ler a história é bom, mas acho que a espera e expectativa também dão um temperinho a mais. 

Hoje tem png do rosto da Mônica que eu refiz usando referencias da ed. 93 e quebra-cabeças. Divirtam-se!

Para mais palpites, confiram o vídeo do Canal Opinião Turma da Mônica Jovem:

quinta-feira, 19 de maio de 2016

CBM#32: A onça e o ouriço - Críticas





Oiê! Pensam que eu esqueci do Chico? Não, não esqueci. Só estava esperando sair a capa da ed. 33.

Sabiam que essa ed. foi tipo uma pegadinha para mim? Pois é. A sinopse falava em segredo terrível rondando a região, depois o título falando em onça e ouriço. Daí juntei as coisas e fiquei pensando que era algo sobrenatural tipo alguma lenda ou história de fantasmas, etc. Por isso fiquei surpresa ao ver que não era nada disso.

A história apenas falava sobre o tráfico de animais e o quanto isso é cruel. Acho que foi por isso que gostei da ed., eu esperava uma coisa e veio outra bem diferente.

O desenvolvimento da história foi bom embora eu não tenha gostado muito da forma como a Rosinha recebeu o Chico apesar de entender a situação dela. Chegar de surpresa nem sempre é bom porque ela não podia largar tudo de lado só para ficar com ele. Sei lá, ela ao menos podia ter tentado ajudá-los a encontrar algum lugar para dormir.

Quando ela foi visitá-lo, ele teve o cuidado de arrumar um lugar para ela dormir. Será que não tinha nenhum amigo para quebrar esse galho? Tirando isso, gostei bastante porque mostrou um pouco mais da vida dela, seu trabalho na faculdade e as colegas de classe. E rachei de rir com a colega maluca que a empurrava para o lado toda vez e aparecia algum animal interessante.

Eles bem que poderiam fazer mais histórias mostrando a vida dela. Por exemplo, já vimos que a tia dela é uma bruxa, então ela deve estar tendo dificuldades em casa, tendo que fazer todo trabalho doméstico para uma mulher chata, azeda e que nunca está satisfeita com nada.

Tem o Paulo, que nunca mais ficamos sabendo dele, e aquele fotógrafo maluco. São coisas que ficaram no ar e nunca mais ninguém falou a respeito.

A história tocou no assunto do tráfico de animais e também em como é errado colocar animais silvestres nas mãos de pessoas que não sabem ou tem condições de cuidar deles, como no caso do garoto com o ouriço. Esses animais não são como gatos e cachorros, eles têm necessidades especiais que nem sempre as pessoas sabem como suprir.

Eu particularmente sou contra ter animais silvestres como bichos de estimação. A meu ver, só gato e cachorro servem para viver dentro de casa. Mas como sei que as pessoas não vão deixar de ter animais exóticos só por causa da minha opinião, pelo menos deveriam cuidar direito, o que nem sempre acontece.

É aí que chegamos a outro assunto abordado e que nos pegou de surpresa: a Oncivalda, onça de estimação do Zé Lelé. Ain, gente, fiquei tão triste por terem tirado a bichinha dele! Sim, eu sei que foi a coisa certa a fazer. Onça não é bicho para ficar tratando feito gatinho fofo. Mas ainda assim fiquei triste porque sei que o Zé gosta muito dela e nós ficamos acostumados a vê-la de vez em quando nas histórias. Sei lá, eu me senti como se tivessem tirado um personagem da revista.

Pois é, já que a história aborda o tráfico de animais, claro que tinha de ter um traficante e o bandido foi bem bolado, homem perigoso, capaz de matar, malandro e que não importava nem um pouco com os animais e sim em lucrar em cima deles mesmo sabendo que muitos iam morrer no meio do caminho. Ainda bem que ele acabou sendo preso, mas infelizmente tem muitos soltos por aí.

Também fiquei feliz por o garoto ter se conscientizado de que não podia cuidar do ouriço e aceitou abrir mão dele, o que foi melhor. E adorei ele ter criado coragem para dizer onde ficava o esconderijo do traficante e assim puderam salvar o Chico. Até a Oncivalda ajudou, mostrando o seu lado selvagem.

Acho que é por isso que apesar da tristeza, sei que foi melhor levarem a Oncivalda. Ela era tão mansa que o traficante não teve dificuldade nenhuma em levá-la. Uma onça assim, tão bobona, certamente daria um bom dinheiro e outra pessoa poderia acabar capturando para vender.

O final foi feliz e foi bonitinho ver o Chico tentando ter um momento romântico com a Rosinha e sendo levado embora pelo Zé, que não estava com bom humor para romances. Ah, e vocês viram que fofo o Chico pedindo a Rosinha em casamento enquanto dormia? Foi tipo um momento “ounnnn”.

E fim. A história foi boa pelo tema que abordou. O andamento foi bom, não vi furos no roteiro e tivemos um final mais ou menos feliz dentro das possibilidades da história.


Agora temos a ed. 33 onde o Chico vai parar na Patagônia. Bem... depois de ele ter ido para um planeta que fica em outro universo e quase ser morto pelos servos da serpente, a Patagônia é tipo ali na esquina. Mas acho que vai ser interessante vê-lo tendo contato com a neve e encarando um frio de lascar. Eu não lembro de nenhuma história no gibi onde ele tenha visto neve, alguém lembra?

Fora isso, acho que eles vão ter que enfrentar animais selvagens, talvez criminosos ou o tal reality show vai colocar alguma armadilha doida para deixar o programa mais emocionante. Imagino que ele vai com os colegas da faculdade, será que a Fran vai continuar dando de cima e o Vespa vai continuar sendo... Vespa? Isso nunca falta nas aventuras em que esse pessoal participa. Vamos ver no que vai dar.

domingo, 15 de maio de 2016

TMJ#93 - Nunca mais: Críticas




A história é centrada no Cebola e suas tentativas de reconciliar com a Mônica. Dá para ver que ele não consegue esquecer dela de jeito nenhum e todas as suas tentativas de seguir em frente não deram em nada. Confesso que torci o nariz para ele no início quando ele falou que a Mônica estava feliz, mas “e eu”. Tipo assim, de que adiantava a Mônica estar feliz se ele não estava? Mas depois acabei mudando minha visão dele.

Gostei que a história falou um pouco das tentativas anteriores do Cebola de namorar uma garota, pelo menos esclareceram que não deram certo e até disseram qual foi o destino da Nadine que até então não tinha dado as caras. Essa parte foi legal porque mostrou que mesmo ficando com várias garotas, o Cebola não conseguiu esquecer a Mônica. Confesso que estou ficando com dó.

Tem um detalhe que chamou a atenção, foi quando Cebola falou que DC gostava da Mônica desde criança. É.... parece que isso é mais antigo do que a gente pensava. Tudo bem, quem espera sempre alcança e a vez dele acabou chegando.

O clima da história ficou assim meio... deixa eu ver... além da imaginação, tipo aquela coisa surreal. A coisa chegou a um ponto em que acabei ficando com dúvida: será que a Mônica existiu mesmo ou foi só coisa da imaginação do Cebola porque estava sozinho? Sim, nós sabemos que a Mônica existe, mas a história ficou tão bem feita que acabou conseguindo levantar essa dúvida ainda que por alguns instantes.

Ainda mais porque ele mesmo ficou duvidando de si mesmo, achando que tinha problemas na cabeça. Deve ter sido doloroso, especialmente porque ele nem conseguia mais lembrar da sua vida sem a Mônica e de repente tudo pode ter sido uma ilusão.

E também tem a “análise” da Magali ao dizer que quase toda a turma seguia com os namoros de infância e só Cebola tinha ficado sozinho. Talvez essa fixação na Mônica seja a procura por uma garota perfeita que nunca apareceu.

Quando vi o Cebola trancado no quarto debruçado sobre o computador procurando freneticamente pela Mônica, fiquei impressionada porque até então ele nunca se esforçou tanto por ela. Quer dizer, ele ficou assim por causa da Brisa, Diana, Hortência e Lucília, mas é a primeira vez que o vejo ficar desse jeito por causa da Mônica. Dou 8 pelo empenho.

O clima de mistério também ficou bom porque durante toda a história vemos a tal criatura e aqueles símbolos estranhos, mas até então nenhuma pista do que era e por que tinha sumido com a Mônica.

Olhando o tal símbolo que aparecia aqui e ali, vi que era familiar e uma rápida pesquisa no Google me trouxe essa imagem:



É bem parecida apesar de a direção da espiral estar diferente. É um símbolo celta. Naquele tempo, as estações do ano eram divididas em três: primavera, verão e inverno. Eles também tinham uma deusa e como as estações do ano eram três, essa deusa também tinha um aspecto tríplice: donzela, mãe e anciã. Também representava nossa natureza tríplice (corpo, mente e espírito).



Outra interpretação para esse símbolo é que ele representa o mundo material: céu, terra e mar.


Mas acho que  Cassaro só usou o símbolo mesmo porque o significado na história é bem diferente porque representa uma entidade que realiza desejos. Também gostei de ver o empenho dele para descobrir o que tinha acontecido com a Mônica, mesmo todo mundo achando que ele estava com problemas. Ele chegou mesmo a declarar que pela Mônica ia até o inferno. Uia, nunca o vi tão determinado assim por causa dela. 

Sem falar da parte onde Cascão falou o que muita gente devia estar pensando: que o lance do Cebola de querer derrotar a Mônica era totalmente sem noção. Até que faz sentido: se ele gostava tanto assim da Mônica, por que essa fixação em derrotá-la? Claro, tudo por causa do seu complexo de inferioridade que acabou estragando o namoro e todo o resto. Essa parte foi boa porque ajudou o Cebola a refletir um pouco mais sobre isso.

Agora ele percebe o quanto essa fixação atrapalhou a felicidade dele. Se bem que eu não diria que foi só essa fixação e sim a sua total falta de empenho em tentar derrotá-la e reatar o namoro.

Terminada a parte “supernatural”, começa a viagem deles até aquela tal gruta dos desejos. Sério, eu nem imaginava que tinha algo assim na cidade. Ou então eles tiveram que viajar um bocado para chegar até lá.

A causa de toda essa confusão só é revelada mesmo no final, quando descobrem que tem uma entidade chamada Provedor que realiza os desejos das pessoas. Mas vem cá, por acaso alguém sabe onde eu encontro esse cara? De repente ele pode me arranjar os números da Mega-Sena.

O encontro deles com o Provedor foi bem feito e esclarecedor também. Minha parte preferida foi quando Cebola tentou lhe dar um soco e saiu com o braço todo bugado. Só fiquei surpresa da Magali não ter tentado atacar a melancia, mas tranquilo.

A entidade ficou bem feita, o conceito é bom, explicação lógica e coerente, fez bastante sentido explicar que a força dele vinha dos desejos das pessoas. Poucos sabem, mas nossa força criativa é muito grande. Mais especificamente, a força das nossas emoções ao focarmos nosso desejo.

Choque mesmo foi a revelação de que ela tinha sumido por causa de um desejo do Cebola. Se bem que nos gibis ele desejou isso várias vezes. teve até uma história onde ele voltou no tempo junto com o Cascão e impediu que os pais da Mônica se conhecessem. Ele só desfez tudo depois porque o seu Souza casou com a Carmem da esquina e a filha deles ficou bem pior que a Mônica.

Só que na verdade, Cebola não tinha desejado nada disso. Tá, ele apenas queria não sentir mais dor de cotovelo, mas duvido que isso incluísse o sumiço da Mônica. Essa parte me lembrou de um filme que assisti há uns anos chamado de “a abóbora mágica”. É um filme que se passa na China, onde um garoto muito preguiçoso encontra uma abóbora mágica que realiza todos os seus desejos.

O problema é que o abóbora era muito atrapalhado e quando o garoto fazia algum desejo, ele realizava de um jeito que sempre acabava em confusão. Por exemplo: quando o menino quis ver um filme cujos ingressos tinham esgotado, ao invés de colocá-lo dentro do cinema, ele o colocou dentro do filme para quase ser devorado por um dinossauro.

Ou então quando o menino quis tirar dez numa prova, o abóbora transferiu as respostas da folha de uma menina, que era muito estudiosa, e colocou na prova do menino. Só que o “jênio” transferiu também o nome da menina e o garoto acabou se lascando. E que isso tem a ver com a história? Bem, o que o provedor fez foi basicamente a mesma coisa que o abóbora.

Cebola apenas desejou não sofrer mais com a dor de cotovelo e o que o provedor fez? Apagou a existência da Mônica, algo que o rapaz definitivamente não queria. Deu para entender? O problema não foi o desejo e sim a forma como a entidade o realizou.

E refletindo um pouco mais, eu achei bastante errada essa atitude porque para realizar o desejo do Cebola, ele acabou penalizando a Mônica como se ela fosse a culpada pelo sofrimento dele. Sem falar que Cebola pode ter desejado isso, mas em momento algum pediu de forma direta e consciente.

Isso acontece com a gente o tempo inteiro. Às vezes desejamos coisas no nosso íntimo, mas não queremos que aconteçam de fato. Por exemplo, de vez em quando eu vejo umas notícias que me deixam muito desanimada com a raça humana e acabo “desejando” que um meteoro caia na Terra e acabe com tudo. Mas não é algo que eu quero REALMENTE que aconteça, entende? Eu não fico rezando por isso toda noite. Não sei se deu para entender.

Voltando a história, ao ver que não dava para reverter o desejo, Cebola acabou se oferecendo para sumir no lugar da Mônica porque o Provedor acredita que um sacrifício é mais forte do que tudo e não pode ser recusado. Foi nessa hora que eu comecei a respeitar mais o Cebola.

“Meldels, meldels! A Mally tá respeitando o Cebola? É o sinal dos tempos! Fujam para as montanhas!”

Calma, gente, calma. Eu apenas estou reconhecendo o amadurecimento do personagem, só isso. A Petra já falou que o objetivo do rompimento era servir de gatilho para o amadurecimento dele e vemos que isso está de fato acontecendo.  

Pode não parecer, mas um passo importante foi dado nessa história. O Cebola realmente aprendeu a aceitar que a Mônica é feliz com outra pessoa e não tem o direito de interferir nisso em benefício próprio. Ele ainda a ama? Sim. Mas agora, pelo que parece, o sentimento ficou mais maduro e ele aprendeu a pensar no bem-estar dela. Até então ele só pensava em si mesmo.

Outro passo importante foi a Mônica ter tomado consciência do quanto ele estava sofrendo. Não que isso vá fazê-la terminar com o DC para ficar com ele, isso não vai rolar. Ela realmente gosta do DC e está feliz com ele, vamos admitir. Mas pode ser que depois dessa edição ela não haja mais com tanta desconfiança e hostilidade com ele.

Vocês podem achar que está demorando demais para a Mônica ficar bem com o Cebola, mas vamos olhar o lado dela também, né? Confiança perdida é difícil de recuperar. Depois de tantas mancadas, a Mônica perdeu a confiança no Cebola.

E tem outra coisa que a Petra falou no ask dela e faz muito sentido: o Cebola precisa melhorar como pessoa antes de ficar com a Mônica porque não é certo o rapaz avacalhar a moça durante a vida inteira e depois ficar com ela numa boa. Isso passa uma mensagem muito ruim, que pode inclusive prejudicar várias meninas no futuro. Elas podem pensar que é normal o sujeito aprontar um monte e depois ficar com elas numa boa. Isso não existe na vida real.

Então, hoje, estou respeitando mais o Cebola. Ainda não sei como vai ser no futuro. Ele tem um longo caminho pela frente, talvez precise refletir melhor sobre seu sentimento de inferioridade em relação a Mônica, entender melhor o por que dessa fixação em derrotá-la. Pode ser que ele ainda tenha algo a melhorar.

Além do mais, não podem acabar com o namoro da Mônica assim do nada. Tem que ser bem feito para não ficar forçado ou esquisito. Então quem torce para que os dois voltem a namorar novamente vai ter que esperar um bocado.

Eu gostei muito da história. O tema, a forma como foi desenvolvida e a profundidade que foi dada ao Cebola. A conclusão também ficou boa porque o Provedor percebeu que ele não era tão poderoso assim em alterar a realidade e no fim respeitou a vontade dos personagens. Outra coisa legal foi a mensagem de que o sentimento do Cebola pela Mônica é tão forte que nem uma criatura tão poderosa com poder de alterar a realidade foi capaz de fazê-lo esquecer dela.

E mostrou também o quanto a Mônica se importa com o Cebola apesar de tudo, porque ela estava disposta a voltar para a caverna e desfazer toda aquela confusão. Era bem capaz de ela até se oferecer para ficar no lugar dele novamente se fosse preciso.

Não sou boa em avaliar desenhos, mas as expressões do Cebola ficaram realmente emotivas, impactantes, sei lá. Nunca vi a cara dele daquele jeito, especialmente no quadrinho onde ele manda o Cascão sair do seu quarto. Foi algo assim bem mangá mesmo. Há quem diga que os desenhos ficaram ruins e confesso que deixaram um pouquinho a desejar mesmo. Mas deu para levar de boa.

Ah, e aquela imagem do Cebola beijando a Mônica? Foi só mesmo para deixar todo mundo de cabelo em pé porque nem nos sonhos do Cebola ela apareceu. Pobrezinho, não consegue ganhar beijo nem sonhando!

Bom, essa foi a crítica do mês, espero que tenham gostado. Agora vamos aguardar a ed. 94 e confesso que estou bem curiosa, mas isso vai ficar para os palpites. Até mais!



domingo, 8 de maio de 2016

Top 10 vestidos glamourosos

Para quem gosta de vestidos lindos, aqui tem uma compilação dos melhores que apareceram na TMJ.

10

Penha, TMJ#52 – Sombras do passado, parte final

Simples e sem muitos detalhes, mas mostra claramente que ela está vestida para matar. Obviamente deve ser vermelho, o que ressalta o tipo de cavalo que ela é. O vestido é ousado com aquelas aberturas nas laterais e as luvas ajudam a compor o look "female fatal". E notem que ela não tira o chapéu de jeito nenhum, acho que virou sua marca registrada. Simples e sem muitos detalhes, mas mostra claramente que ela está vestida para matar. Obviamente deve ser vermelho, o que ressalta o tipo de cavalo que ela é. o vestido é ousado com aquelas aberturas nas laterais e as luvas ajudam a compor o look "female fatal". E notem que ela não tira o chapéu de jeito nenhum, acho que virou sua marca registrada.
Para quem quiser reler a crítica, Ed. #52 - Sombras do Passado, parte 2: Críticas
9

Mãe da Marina, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Poucos devem ter notado o vestido super elegante que a mãe da Marina estava usando. Uma pena ela não ter aparecido na parte colorida, eu teria adorado ver melhor os detalhes. Gostei da echarpe nos seus braços, o bordado com as pérolas, que era tema da festa, jóias e os cabelos.
8

Mônica e demais garotas, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Os vestidos que as garotas usaram para o baile da Marina também ficaram lindos. Acho que esse é o tipo de festa de 15 anos que a maioria das garotas iria adorar. Muito glamour, brilho, roupas lindas, baile, etc.
7

Hemengarda, TMJ#35 – Baile a fantasia

O visual dela foi bem planejado: aparência de vilã, rica, esnobe, gananciosa, fútil e dada a chiliques. Talvez um tanto clichê, mas gostei mesmo assim porque madame que se preza tem que usar peles, apesar de atualmente elas serem de mau gosto.
6

Maria Mello, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Não é uma roupa de verdade e sim algo que Maria estava imaginando, mas é muito bonita mesmo assim.
5

Mônica, TMJ#36 – O show deve continuar

Também queria mencionar o vestido que a Mônica usou na ed. 36, que ficou realmente a cara dela (muito melhor que aquelas bizarrices que o Cebola a fez usar). Eu também sinto saudade dos traços daquele tempo.
4

Marina, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Depois da parte formal da festa, hora de vestir algo um pouquinho mais adequado para cair na pista. Os outros vestidos ficaram bonitos, mas o da Marina chamou mais a atenção. Claro, a aniversariante tinha mesmo que ter o destaque da festa, né?
3

Marina, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Esse vestido ficou realmente top, não é a toa que o Franja está todo babão atrás dela. Fica até difícil acreditar que ele deixou o namoro de lado para se aliar ao lado negro da força, mas espero que esse futuro tenha sido mudado.
2

Monica, TMJ#52 – Sombras do passado, parte 2

É raro ver a Mônica vestindo algo tão bonito e requintado. É um vestido bem leve, com lindos desenhos nas barras as miçangas no ombro dão um belo toque final. Também adorei o colar e o cinto. Ela pode se misturar muito fácil na festa da Penha. Uma pena ele ter sido rasgado durante a batalha. Fiquei morrendo de dó.
1

Marina, TMJ#27 – O aniversário da Marina, parte 2

Os vestidos anteriores são bonitos, mas acho que nada consegue superar esse super vestido longo de princesa. Qual garota não ia querer usar algo assim na sua festa de quinze anos? O vestido se adéqua ao tema da festa (pérolas) e também é repleto com borboletas. A forma como foi desenhado na apresentação foi um tantinho exagerada a meu ver, mas isso não tirou a beleza do vestido e por isso merece o primeiro lugar.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Continuação de Universo em desequilíbrio


Pois é, gente, lembram que eu queria fazer a continuação da fanfic universo em desequilíbrio? Pois é, finalmente as idéias estão fluindo e já tenho alguns capítulos. Não vou falar muito porque seria spoiler, mas digamos que essa fanfic vai ser um pouco diferente das outras. Vai ser bastante tensa, podem esperar.

Para dar um gostinho, e para saber o que vocês pensam, vou publicar o prólogo da fanfic, tipo onde tudo começa. Não esclarece muita coisa e levanta várias questões, mas quero saber a opinião de vocês. Não deixem de comentar!


Prólogo

Universo alternativo

Em um futuro relativamente próximo

Cebola sentou-se na escadaria e ficou ali por um tempo remoendo a insatisfação por ter sido rejeitado pela quinta vez. Ou seria a sexta? Talvez a sétima? Ele tinha perdido a conta e já não se importava mais.

“Droga, eu não sei mais o que fazer!” No colo estava uma pasta com o seu projeto incluindo algumas amostras. Era preciso melhorar mais e sanar alguns defeitos. Como fazer isso com tão pouco dinheiro? Só se arrumasse outro emprego e ainda assim havia o risco de aquela sua tia avarenta querer roubar mais esse salário também. Sua vida, definitivamente, era uma droga. Uma completa droga. 

Após um breve período de sucesso derrotando a gangue da Magali e acabando com seu reinado de terror, sua vida começou a declinar novamente. Primeiro, a morte do Titi, depois a garota que ele amava foi embora deixando em seu lugar uma cópia sem personalidade. O fato de ter derrotado Magali não fez com que suas amizades no colégio melhorassem. Os outros alunos só pararam as piadinhas, mas ele continuou isolado como sempre. Por fim, houve a morte da sua mãe que ainda doía seu coração mesmo tendo passado quase um ano. 

E para coroar sua maré de má sorte, Cebola foi obrigado a receber em sua casa dois parentes folgados, abusados e irritantes porque na época ele era menor de idade e seus familiares não permitiram que ele morasse sozinho sem um tutor legal. Assim sua tia e seu primo foram morar com ele, tornando sua vida um inferno tão grande que várias vezes ele sentiu falta da Magali e do bando dela.

Não adiantava nada falar com sua família. A resposta era sempre a mesma: quando completasse dezoito anos, poderia viver sozinho. Mas quando esse dia finalmente chegou, sua tia fez um drama dos diabos falando que não tinha para onde ir e que ele era um ingrato por expulsar de casa uma pobre viúva que tinha feito tanto por ele. O resto da família engoliu aquela mentira e ele não pode fazer nada.

E como ela não saiu, seu primo não saiu também e ele era obrigado a agüentar aqueles dois por tempo indeterminado porque não queria colocá-los para fora à força e ficar contra o resto da família. E agora essa rejeição em série de todas as empresas da cidade.

“Eu devia ter esperado mais um tempo, estudado mais, não sei... acho que ainda é muito cedo para tentar vender isso, mas eu preciso fazer alguma coisa!” ele pensou desesperado ainda sentado na escadaria da grande empresa apesar da cara feia do segurança. Aquele projeto era a única forma que ele via de sair daquela vida horrível.

Ainda lhe faltava conhecimento, ele precisava de mais tempo para desenvolver seu projeto e se pudesse entrar na faculdade, poderia conseguir patrocínio. Mas como entrar na faculdade se não podia pagar mensalidade e a faculdade pública ficava longe demais da sua casa? Ele não se importaria em ficar num alojamento ou república, mas não queria deixar SUA casa para aqueles dois malandros. Era muito desaforo.

Ele estava tão imerso em seus pensamentos que não percebeu uma limusine estacionando em frente à empresa e só se deu conta quando o chofer impecavelmente vestido parou na sua frente, lhe dando um pequeno susto.

- Meu patrão deseja falar com o senhor. – o homem disse polidamente.
- Seu patrão? Onde?

O chofer apontou para o carro e Cebola ficou boquiaberto por ver algo assim naquela cidade. Ele ficou desconfiado.

- O que seu patrão tá querendo comigo?
- É um assunto que somente ele poderá esclarecer. Queira ter a bondade de me acompanhar, senhor.

Mesmo desconfiado, ele seguiu o chofer que abriu a porta e fez um gesto para que ele entrasse. Cebola inclinou-se e viu, sentado no banco luxuoso, um senhor que parecia ter pelo menos noventa anos de idade. Sua pele era bem enrugada, seus cabelos totalmente brancos e seu corpo estava encurvado, sendo apoiado em uma bengala que ele segurava em suas mãos mesmo estando sentado. Ainda assim seus olhos eram muito vivos e perspicazes.

- Entre, meu jovem. Não vou lhe morder. – falou uma voz rouca.

Aquele velhinho parecia não oferecer nenhum perigo e Cebola acabou obedecendo. E foi assim que sua vida mudou para sempre.

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Dezessete anos depois...

Era uma cidade impecavelmente limpa e organizada, com prédios novos e de aparência moderna. As ruas eram bem distribuídas, largas e havia muitas áreas verdes espalhadas pela cidade em forma de praças e parques.

Nas calçadas havia lixeiras dispostas em distâncias regulares, sem um único centímetro de diferença entre uma e outra. As árvores também pareciam todas iguais, até a disposição dos galhos. As pessoas caminhavam apenas nos locais determinados, cada um para uma direção específica. Ninguém se acotovelava ou esbarrava. O vestuário também era uniforme com poucos sinais de individualidade. Até os cortes de cabelo eram semelhantes, sendo divididos apenas pelo gênero.

Olhando melhor, também dava para ver que as pessoas andavam da mesma forma como se estivessem num passo sincronizado.

Era a mais perfeita ordem e estava se espalhado pelo globo, sendo aquela cidade a capital de todo o governo. As fronteiras políticas e culturais estavam sendo dissolvidas gradualmente e a Terra estava caminhando para se tornar uma única nação com apenas um idioma, uma única lei e um único governo.

No centro da cidade havia um grande e luxuoso prédio, que se destacava não só pela altura como pelo design arredondado e orgânico. Grandes vidros espelhados adornavam o prédio refletindo o azul do céu, o verde das árvores e as cores dos prédios ao redor, tornando-o um belo mosaico de cores e reflexos.

Ele contemplava a paisagem urbana pela grande janela da sala. Finalmente seu plano tinha dado certo e ele era o governador mundial. E pensar que tudo tinha sido conseguido tão facilmente! Quase não houve resistência. Quando as pessoas se deram conta, seus nanitas já tinham tomado o controle de tudo. Os nanitas controlavam as pessoas e ele os controlava de acordo com sua vontade.

As pessoas tinham saúde e longevidade. Ninguém mais ficava doente e os hospitais serviam apenas para os casos de emergência ou maternidade. As crianças recebiam os nano implantes com poucas semanas de idade e tinham saúde garantida pelo resto da vida.

Foi por isso que ele não encontrou nenhum tipo de resistência ao seu plano de dominação mundial. Primeiro, ele lançou seu produto milagroso no mercado. Apesar do ceticismo inicial, todos foram cedendo quando ele mostrou pessoas recuperando a visão, andando após anos nas cadeiras de rodas ou se recuperando de doenças incuráveis. Com isso, não foi difícil convencer as pessoas de que tratava de algo milagroso que ia acabar com o sofrimento da humanidade. 

Para garantir que todos recebessem os nanitas, ele até lançou projetos filantrópicos para pessoas de baixa renda. Tudo começou no Brasil e aos poucos foi espalhando pelo resto do mundo.

Claro que muitos perceberam que havia algo de errado, mas já era tarde. A maioria já estava implantada e gradualmente o movimento de resistência foi sendo derrotado. Agora ninguém mais ousava levantar a voz para ele.

- Eis o mundo perfeito! – ele falou orgulhoso de si mesmo. Todos os seus sonhos tinham sido realizados.

Cebola ainda se lembrava do dia em que foi descoberto pelo seu benfeitor. Sua vida era miserável, ele estava sozinho no mundo, com muitos problemas e quase desistindo de tudo. Somente ele foi capaz de ver potencial dos seus nanitas e financiar seu projeto. Como não tinha herdeiros, seu benfeitor o adotou, tornando-o único herdeiro de toda sua fortuna.

Aquilo era bom demais para ser verdade e Cebola recebeu todo o apoio que precisava para crescer, desenvolver seu projeto e com o tempo dominar o mundo. E ele só precisou fazer uma única promessa que agora cumpria com todo prazer: manter a ordem. Sempre. A todo custo.

Sim, ele tinha tudo. Ou quase tudo. Bem... algumas coisas tiveram que ser remediadas com o tempo e embora não fossem exatamente como ele queria, pelo menos lhe dava a sensação de ter todos os sonhos realizados. Mas ainda assim lhe restava um vazio... algo que não podia ser preenchido por nada...

Seu moderníssimo smartphone apitou, trazendo-o de volta a realidade.

- Está quase na hora. Espero que ela já esteja pronta, detesto esperar.

Uma grande pintura pendurada na parede atraiu seu olhar. Era algo simples, de uma garota com belos olhos castanhos e dentes protuberantes. Um suspiro triste e cansado saiu do seu peito antes de ele deixar a sala.

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Após dar a última pincelada de maquiagem no rosto, Mônica afastou-se um pouco do espelho para contemplar o resultado. Ela usava um longo vestido vermelho tomara-que-caia, com colares e brincos de pérola combinando. Eram as jóias mais lindas e caras que uma mulher poderia querer. Mas ainda assim o resultado não a agradava.

Para começar, aquele corte de cabelo era muito infantil para uma mulher da sua idade. Por que Cebola insistia em lhe pedir que mantivesse aquele corte? Aquela franja era tão anos oitenta! E ela sequer gostava de vermelho, mas vestia só para agradá-lo.

Tudo bem... ser a esposa do líder mundial tinha seu preço. Depois de muita espera, ele finalmente resolveu começar um namoro e dali para o noivado e casamento foi automático.

- Senhora, ele acabou de chegar. Depressa ou ele pode se aborrecer! – A criada falou tentando apressá-la.
- Já vou, obrigada.

Quando Cebola entrou na grande e luxuosa sala de sua mansão, Mônica já o esperava arrumada e pronta. Ele contemplou o resultado e por mais que se esforçasse, via somente uma vaga imitação. Não era ela. Nunca seria.

- Está pronta? – Ele falou simplesmente.
- Sim, querido. Podemos ir. – a mulher respondeu desapontada por não ter ouvido um único elogio sequer. Bem... ela devia estar acostumada.

Os dois foram até a limusine onde o chofer os esperava e rumaram para o grande salão de festa, onde haveria um jantar com seus aliados mais importantes para celebrar a anexação da Austrália e Bangladesh aos seus domínios. Alguns poucos países ainda resistiam, como EUA, China e Rússia, mas era só questão de tempo até todos curvarem ao seu poder. 

Apesar do seu porte altivo e orgulhoso, das roupas impecáveis e de todo o luxo que ostentava, dava para ver tristeza nos olhos daquele homem. Paradoxo obervava tudo com grande pesar.

Cebola era bajulado, ria e conversava com os aliados tendo Mônica ao seu lado. Embora sorrisse e procurasse ser agradável, ela também não parecia feliz.

Ele adiantou seu relógio não em minutos ou horas, mas em algumas décadas e deparou-se com aquele cenário triste e desolado que lutava tanto para evitar, sem sucesso. Aquela cidade que antes era tida como modelo de perfeição agora estava caindo aos pedaços sob um céu cinzento com nuvens avermelhadas. Não havia mais vegetação, o ar era quente e difícil de respirar. Somente poucas pessoas andavam de um lado para outro mendigando qualquer naco de comida.

Mas aquelas pessoas nem pareciam humanas. Era uma mistura de tecnologia com vida orgânica. Após alguns anos, os nanitas sofreram mutações e passaram a se integrar no DNA das pessoas, tornando-as parte máquinas e os efeitos foram desastrosos. Uma parte dos nanitas foi destinada, a principio, a fazer com que as pessoas obedecessem o grande líder mundial Cebola. Mas com o tempo essa parte trouxe demência a grande maioria da população e loucura para alguns.

A raça humana passou a ser composta por pessoas praticamente inválidas, doentes, com problemas mentais que só conseguiam perambular de um lado para outro procurando comida em um planeta que já estava morto.

A vida animal estava sofrendo com grande extinção em massa, assim como a vida vegetal. O aquecimento polar causou o derretimento dos pólos e o campo magnético da Terra quase não existia mais, deixando todo o planeta exposto aos raios ultravioleta.

Paradoxo balançou a cabeça negativamente ao ver que, mais uma vez, falhou em evitar aquele futuro tenebroso. Era como se todos os caminhos levassem a somente um único final. Claro que toda aquela degradação no planeta não era culpa do Cebola, nem de longe, mas foram seus nanitas que causaram aquela tragédia nos seres humanos deixando as pessoas incapacitadas para fazerem qualquer coisa.

Não havia mais salvação para a Terra e os sobreviventes restantes não iam durar nem um ano inteiro. Dentro de dois ou três anos, a Terra ia se tornar um planeta morto.

- Eu não posso deixar isso acontecer, mas estou ficando sem idéias! – ele falou consigo mesmo. Depois de tentar tantas coisas diferentes, suas idéias estavam começando a esgotar.

Sua mente voltou a trabalhar freneticamente, voltando ao dia em que Cebola encontrou com seu benfeitor. Tudo o que ele precisava fazer era evitar aquele encontro. Céus, deveria ser tão difícil assim? Mas era. Por mais que fizesse, aqueles dois acabavam se encontrando mais cedo ou mais tarde. Aquilo tinha que ser evitado de qualquer jeito.

- Hum... como fazer com que esse rapaz não tome essa decisão errada? – ele coçou o queixo por um tempo enquanto pensava em algumas possibilidades. E se ele o tirasse da Terra por um tempo? Isso poderia ajudar, mas por outro lado traria problemas porque a presença daquele rapaz era importante e se saísse daquele universo alternativo, poderia causar um desequilíbrio. Seu lugar não podia ficar vazio.

Aos poucos uma idéia louca foi surgindo na sua cabeça e seus olhos brilharam.

Podia ser a solução para vários problemas.